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Paciente faltou na terapia: o que fazer, quando cobrar e como evitar a próxima

Uma política de faltas combinada no começo poupa conversa difícil depois. Aqui vão as regras que os conselhos já deixaram claras, exemplos de cláusula e um jeito simples de confirmar sessões.

📅 Atualizado em outubro de 2026 ⏱ 9 min de leitura ✍ Equipe Psicoly

Segunda, 8h05. Você chegou cedo, café pela metade, sala arrumada. O paciente das oito não aparece. Às 8h15, nada. Às 8h20 você manda um “tudo bem por aí?” e fica olhando o celular. Às 8h40 chega: “Nossa, esqueci completamente, desculpa!!”. E agora: cobra? Não cobra? Fala alguma coisa na próxima sessão? Quando o paciente faltou na terapia, a resposta mais tranquila é a que você combinou antes — e é sobre isso este texto.

Spoiler: se nada foi combinado, não há o que cobrar desta vez. Mas dá para resolver daqui para frente.

Paciente faltou na terapia: o que fazer na hora

Quando o paciente falta, espere um tempo razoável, mande uma mensagem curta e sem tom de cobrança, e registre a ausência. A discussão sobre o que a falta significa, e sobre pagamento se for o caso, fica para a sessão seguinte, ao vivo.

  1. Espere. Quanto tempo é decisão sua, mas defina e mantenha. Dez, quinze minutos.
  2. Mande uma mensagem neutra. “Oi, estou te aguardando para a nossa sessão das 8h. Está tudo bem?” Sem ironia, sem sermão. Às vezes aconteceu alguma coisa de verdade.
  3. Não renegocie pelo WhatsApp. Se a pessoa pedir para remarcar ali mesmo, você pode oferecer um horário se tiver e se isso estiver na sua política. Mas a conversa sobre faltas não cabe numa troca de mensagens às 8h40.
  4. Registre. A falta entra no registro do paciente: data, se avisou ou não, se houve contato. Isso conta como parte do acompanhamento e ajuda a enxergar padrão depois.

Falta também é material clínico

Uma falta nunca é só um problema de agenda: pode dizer algo sobre o momento do processo, sobre resistência, sobre a vida concreta da pessoa, ou não dizer nada além de um despertador que não tocou. Tratar toda falta como inadimplência empobrece o trabalho. Tratar nenhuma como algo a ser olhado também.

Na prática clínica, vale observar:

Cada abordagem vai ler isso de um jeito, e está tudo bem. O ponto aqui é prático: a política de faltas precisa deixar espaço para essa conversa. Uma regra tão rígida que vira punição atrapalha o vínculo; uma regra tão frouxa que ninguém leva a sério atrapalha o seu sustento.

Pode cobrar falta na terapia?

Pode, no atendimento particular, desde que a cobrança da falta tenha sido combinada antes, de preferência num contrato escrito. No atendimento por convênio, não.

Isso não é só costume. O CRP-12 (Santa Catarina), nas suas perguntas frequentes, diz que em atendimentos privados é possível estipular cláusulas contratuais sobre não comparecimento, e que a psicóloga tem autonomia para avaliar a cobrança de faltas justificadas, injustificadas ou reiteradas. Recomenda que o contrato seja escrito e que os termos sejam explicados ao paciente, de modo a não prejudicar o vínculo.

Sobre convênio, a mesma orientação é direta: a psicóloga deve respeitar o contrato com a operadora, e a cobrança de faltas não é permitida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar — o CRP-12 cita a Resolução CONSU nº 8/1998, art. 2º, inciso IV.

E o Código de Ética? O Código de Ética Profissional do Psicólogo não fala de falta especificamente, mas dá as balizas: estabelecer acordos que respeitem os direitos do usuário (art. 1º, “e”) e comunicar o valor antes do início do trabalho (art. 4º, “b”). Daí a regra prática que abre este texto: cobrar algo que nunca foi combinado vai contra a lógica do art. 4º. Se não estava no acordo, não cobre desta vez — ajuste o acordo para as próximas.

Resumindo: particular, combinado antes, por escrito: pode cobrar. Convênio: não cobre falta do paciente. Nada combinado: não cobre agora; combine daqui para frente.

Como montar sua política de faltas

Uma política de faltas é um conjunto curto de regras sobre aviso prévio, remarcação, cobrança e atrasos, combinado na primeira sessão. Não existe prazo definido em norma; quem decide é você, e o paciente precisa concordar.

As decisões que você precisa tomar, com as opções mais comuns:

DecisãoOpçõesO que pesar
Antecedência para desmarcar24h, 48h, “até o dia anterior”A sugestão de contrato do CRP-01 usa 24h. Prazos maiores dão tempo de encaixar outra pessoa, mas são mais difíceis de cumprir.
Falta avisada no prazoNão cobra; repõe se houver horário; não repõePrometer reposição sempre pode lotar a sua agenda de buracos móveis.
Falta sem aviso ou fora do prazoCobra integral; cobra parte; cobra a partir da segunda no mêsIntegral é mais simples de explicar. Parcial suaviza, mas gera negociação.
Atraso do pacienteSessão termina no horário normalÉ o que a sugestão do CRP-01 propõe: o tempo diminui, o valor continua o mesmo.
Doença, emergência, lutoExceção decidida caso a caso; exceção definida no contratoDefinir antes evita a sensação de arbitrariedade.
Faltas repetidasConversa clínica; revisão do horário; encerramento com encaminhamentoVer a seção sobre a conversa, mais abaixo.
Sessão online com problema técnicoRemarca sem custo se a falha for de quem atende; regra própria para falha do pacienteCombine qual canal usar se a chamada cair (mais no guia de atendimento psicológico online).

Nossa opinião: menos regras, bem explicadas, funcionam melhor do que um regulamento de duas páginas. E horário fixo semanal, o mesmo dia e a mesma hora, ajuda contra o esquecimento — a própria sugestão de contrato do CRP-01 coloca dias e horários fixos “para evitar faltas e esquecimentos”.

Um cuidado: política de faltas mexe direto no seu faturamento. Se você ainda não fez a conta de quantas sessões realmente viram dinheiro no mês, o guia de quanto cobrar por sessão de psicologia mostra como as faltas entram nela.

Exemplos de cláusula para o contrato terapêutico

Os exemplos abaixo são pontos de partida para adaptar, não um modelo pronto. O CRP-12 recomenda que o contrato terapêutico seja elaborado com assessoria jurídica, e o CRP-01 publica uma sugestão de contrato que vale a leitura.

Repare na reciprocidade: se você cobra a falta do paciente, faz sentido deixar escrito o que acontece quando quem desmarca é você. Contrato só de um lado costuma azedar a relação. E se o paciente tem plano de saúde e está sendo atendido pelo convênio, a cláusula de cobrança de falta simplesmente não se aplica.

Como confirmar a sessão e reduzir faltas

Confirmar a sessão na véspera é a medida mais simples para reduzir faltas por esquecimento. Pode ser uma mensagem sua, um link que o paciente clica para confirmar ou as duas coisas — o importante é ser previsível: mesmo horário, mesmo canal, toda semana.

Algumas formas de organizar isso sem virar uma tarefa enorme:

No Psicoly, funciona assim: cada paciente tem um link com um cartão das sessões dele, que abre no celular sem instalar nada, e ele confirma ali. Na agenda aparece quem confirmou e quem ainda não. A mensagem para o WhatsApp sai pronta, com o link, mas quem envia é você: o Psicoly não dispara lembrete automático por WhatsApp nem por SMS. É um recurso que muita gente procura, e preferimos dizer com clareza que não temos. Se a confirmação automática é indispensável para você, vale procurar uma ferramenta que faça isso. Mais detalhes sobre a agenda estão no guia de agenda para psicólogos.

A conversa, o registro e a cobrança

A conversa sobre faltas funciona melhor em sessão, olhando para a pessoa, do que por mensagem. Isso vale tanto para lembrar a regra combinada quanto para falar de faltas que estão se repetindo.

Quando a falta vai ser cobrada, seja objetiva e breve: “Como a gente combinou no início, a sessão de segunda entra na cobrança deste mês.” Sem pedir desculpas pela regra. Se a pessoa trouxer uma situação excepcional, escute, e decida conforme o que está no contrato. Se você abriu exceção, anote, para não virar precedente esquecido.

Quando as faltas se acumulam, a conversa muda de natureza. Pode ser o caso de mudar horário, de rever a frequência, ou de reconhecer que este não é o momento para a pessoa seguir em terapia com você. Se o acompanhamento não puder continuar, o Código orienta a sugerir outro profissional e passar as informações necessárias para a continuidade (art. 1º, “k”). Manter um processo andando no vazio também não é saída: o art. 2º, “n”, veda prolongar desnecessariamente o serviço.

Sobre o registro e o dinheiro, na prática:

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Perguntas frequentes

Psicólogo pode cobrar falta do paciente?

No atendimento particular, pode, desde que a cobrança tenha sido combinada antes, de preferência em contrato escrito, como orienta o CRP-12. No atendimento por convênio, o CRP-12 informa que a cobrança de faltas não é permitida pela ANS.

Com quanto tempo de antecedência o paciente precisa desmarcar a terapia?

Não existe prazo fixado em norma; ele é combinado entre você e o paciente. A sugestão de contrato publicada pelo CRP-01 usa 24 horas de antecedência para remarcar.

O que fazer quando o paciente falta muito na terapia?

Leve o assunto para a sessão e olhe para as faltas também como material clínico. Pode ser o caso de mudar o horário, rever a frequência ou, se o acompanhamento não puder continuar, encerrar com encaminhamento a outro profissional, como prevê o art. 1º, alínea “k”, do Código de Ética.

Posso cobrar a falta se não estava no contrato?

O mais coerente com o art. 4º do Código de Ética, que pede que o valor seja comunicado antes do início do trabalho, é não cobrar algo que não foi combinado. Converse com o paciente e inclua a regra no acordo para as próximas sessões.

O Psicoly manda lembrete automático de sessão pelo WhatsApp?

Não. O Psicoly gera um link de confirmação para o paciente e a mensagem pronta para o WhatsApp, mas quem envia é você. Na agenda, você vê quem confirmou e quem ainda não.

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