Consultório e carreira

Como conseguir pacientes como psicólogo: o que funciona e o que o CFP não deixa

Indicação, Google, site e redes sociais, cada um com o seu ritmo — e a lista do que o Código de Ética proíbe, para você não ganhar um paciente e um processo ético na mesma semana.

📅 Atualizado em outubro de 2026 ⏱ 9 min de leitura ✍ Equipe Psicoly

Quarta, 14h. Horário vazio de novo — é o terceiro buraco da semana. Você abre o Instagram para “divulgar um pouco” e dá de cara com um perfil oferecendo “primeira sessão gratuita, só esta semana”, com depoimento de paciente e tudo. Bate a dúvida: será que é isso que precisa fazer? Não. E em boa parte nem pode. Este texto é sobre como conseguir pacientes sendo psicólogo sem atalhos que o Código de Ética veda: o que de fato traz gente para o consultório e o que fica de fora.

Uma ressalva honesta antes de começar: não existe canal mágico. Agenda de consultório costuma encher devagar, por soma de pequenas fontes. Desconfie de quem promete o contrário.

Como conseguir pacientes sendo psicólogo: por onde começar

Para conseguir pacientes como psicólogo, comece pelo que te torna encontrável e indicável: um perfil no Google (se você atende presencialmente), uma página simples dizendo quem você atende e como, e uma rede de colegas e outros profissionais que saibam exatamente para quem te indicar. Redes sociais e anúncios vêm depois, como complemento.

Por que nessa ordem? Porque quem procura terapia normalmente está numa de duas situações: recebeu um nome de alguém de confiança, ou digitou alguma coisa no Google às onze da noite. Nos dois casos, a pessoa vai checar se você existe, onde atende, qual a sua abordagem e se dá para marcar. Se essa checagem falha, a indicação morre ali.

Vale também uma pergunta antes de tudo: para quem é o seu trabalho? “Atendo adultos” é amplo demais para alguém lembrar de você. “Atendo adultos com ansiedade, em TCC, presencial na zona sul e online” é algo que uma colega consegue repetir para outra pessoa. A Nota Técnica do CFP sobre redes sociais diz que a publicidade pode destacar formação, público atendido, abordagem e metodologia de trabalho. Use isso.

O que o CFP proíbe na publicidade do psicólogo

O que o CFP proíbe na publicidade está no art. 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005) e foi detalhado para as redes sociais na Nota Técnica CFP nº 1/2022. O resumo, com a base de cada item:

Não podeBase
Divulgar sem nome completo (ou nome social), a palavra psicóloga/psicólogo, o CRP e o número de inscriçãoCódigo, art. 20, “a”; Nota Técnica 1/2022
Citar título ou qualificação que você não tem, ou apresentar curso livre como especialidadeCódigo, art. 20, “b”
Divulgar técnicas e práticas não reconhecidas pela profissãoCódigo, art. 20, “c”
Usar o preço como propaganda: “preço social”, “desconto”, “valor acessível”, pacote promocional, cupom, sorteioCódigo, art. 20, “d”; Nota Técnica 1/2022
Prometer resultado (“supere a ansiedade em 8 sessões”)Código, art. 20, “e”
Se promover diminuindo colegas ou outras profissõesCódigo, art. 20, “f”
Oferecer atividade privativa de outra categoriaCódigo, art. 20, “g”
Divulgação sensacionalistaCódigo, art. 20, “h”
Expor caso, diagnóstico ou resultado de forma que identifique a pessoa atendidaCódigo, art. 2º, “q”, e art. 9º
Pagar ou receber por encaminhamento de pacienteCódigo, art. 2º, “p”

Três pontos que geram mais dúvida:

E um detalhe que pega muita gente: se uma agência, um social media ou uma plataforma faz a divulgação por você, a responsabilidade pelo conteúdo continua sendo sua. A Nota Técnica é explícita nisso.

Google Perfil da Empresa

O Perfil da Empresa no Google é a ficha que aparece no mapa e na lateral da busca, e para quem atende presencialmente costuma ser o primeiro lugar onde um paciente novo encontra você. É gratuito e não exige site.

O cuidado está na elegibilidade. Pelas diretrizes do Google (consultadas em outubro de 2026), o perfil é para negócios com local físico onde o cliente é atendido; empresas que funcionam só online não se qualificam, e escritório virtual também não. Profissional liberal pode ter perfil próprio. Se você subloca sala por hora ou atende em coworking, confira as regras de lá (sinalização, atendimento no local nos horários informados) antes de criar.

Se você se qualifica, capriche no básico:

  1. Nome como está no CRP. Nada de enfiar palavra-chave no nome (“Psicóloga Ansiedade Depressão Centro”).
  2. Categoria de psicólogo, horários reais, telefone ou WhatsApp que você de fato atende.
  3. Na descrição: público, abordagem, presencial e/ou online, e o CRP com número.
  4. Fotos da sala, da fachada, da recepção. Nunca de paciente.

E as avaliações? Não encontramos norma do CFP falando especificamente de avaliação no Google. Mas, na prática, avaliação é depoimento, e a lógica da Nota Técnica se aplica. Nossa sugestão: não peça avaliação a paciente. E se alguém avaliar, cuidado ao responder — um “obrigada, foi um prazer te atender” confirma publicamente que aquela pessoa é sua paciente, o que esbarra no sigilo do art. 9º (mais sobre isso em LGPD e sigilo na psicologia). Um agradecimento genérico, sem confirmar vínculo, resolve.

Site e artigos: ser achado na busca

Um site simples, com quem você é, quem atende, como funciona a primeira sessão e como marcar, faz o trabalho de “checagem” que todo paciente faz antes de mandar mensagem. Não precisa ser bonito. Precisa ser claro e ter o seu CRP.

Artigos são outra conversa. Eles demoram meses para aparecer no Google e dão trabalho. Em compensação, um texto bom sobre um tema que você conhece bem — “como funciona a terapia para crianças”, “diferença entre psicólogo e psiquiatra”, “o que esperar da primeira sessão” — continua trazendo gente por anos. O art. 19 do Código pede que, ao falar em veículos de comunicação, a psicóloga dissemine conhecimento sobre as atribuições, a base científica e o papel social da profissão. Artigo educativo bem feito é exatamente isso.

O que não entra no site nem no blog: caso clínico reconhecível, “antes e depois”, promessa de resultado, valor como chamariz. E nada de teste psicológico ou imagem de teste — a cartilha do CRP-MG lembra que divulgar instrumentos privativos é vedado.

Indicação de colegas, médicos e outros profissionais

Indicação é o canal que mais se parece com o trabalho clínico: vem de alguém que confia em você e chega com o paciente já mais disposto a começar. Mas não cai do céu. Ela precisa de três coisas: as pessoas saberem para quem te indicar, terem como te achar e confiarem que o paciente vai ser bem cuidado.

Como construir sem forçar:

Dois limites claros. Primeiro: pagar ou receber qualquer valor por encaminhamento é vedado (art. 2º, “p”) — inclusive aquele “mimo” por paciente indicado. Segundo: se você trabalha numa clínica, no SUS ou numa instituição, não pode desviar pacientes de lá para o seu consultório particular (art. 2º, “l”). Atenção redobrada se você tem vínculo com uma instituição e consultório próprio ao mesmo tempo.

Redes sociais com conteúdo educativo

Rede social funciona para psicólogo quando o conteúdo ensina alguma coisa útil e mostra como você pensa, não quando parece vitrine. É também o canal mais lento e mais cansativo, então escolha um ritmo que você aguente por um ano, não por duas semanas.

O que a orientação dos conselhos pede:

Opinião nossa, sem norma por trás: post sobre “5 sinais de que você precisa de terapia” não diferencia ninguém. Falar do que você vê na sua prática, sem expor caso, e explicar como trabalha diferencia. E anúncio pago pode ajudar, já que o Conselho não restringe os meios de divulgação — mas o conteúdo do anúncio segue as mesmas regras do art. 20.

Quando a pessoa entra em contato

Depois de todo o esforço para ser encontrado, muito paciente se perde no primeiro contato: mensagem respondida dois dias depois, valor jogado sem contexto, nenhuma explicação de como funciona. Responder no mesmo dia, explicar a primeira sessão e informar o valor de forma reservada já coloca você na frente.

Algumas coisas que ajudam a não perder quem chegou:

  1. Tenha uma mensagem-base para o primeiro contato: como é a primeira sessão, duração, presencial ou online, valor e forma de pagamento. Personalize o começo e envie.
  2. Se ainda está em dúvida sobre o valor, a conta está no guia de quanto cobrar por sessão de psicologia.
  3. Combine por escrito o essencial (faltas, remarcação, pagamento) logo no início.
  4. Se o atendimento for online, organize a parte técnica antes: o guia de atendimento psicológico online cobre as regras.

Aqui o Psicoly entra, mas é bom deixar claro o que ele não faz: ele não divulga você, não é diretório de psicólogos e não manda pacientes. O que ele faz é organizar o que vem depois do primeiro “oi”. Dá para mandar um link de pré-anamnese para a pessoa responder de casa, marcar a sessão na agenda (presencial ou online, com o link da sala que você já usa) e mandar um link de confirmação que o paciente abre sem instalar nada. A mensagem para o WhatsApp sai pronta, mas quem envia é você — não existe disparo automático. Tem Plano Free para sempre, sem cartão, se quiser testar com os primeiros pacientes.

Se você está no começo de tudo, ainda decidindo sala, CNPJ e registro, o passo a passo de como abrir consultório de psicologia organiza a ordem das coisas.

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Perguntas frequentes

Psicólogo pode fazer anúncio pago no Instagram e no Google?

Pode. A cartilha do CRP-MG lembra que o Conselho não restringe os meios de divulgação. O conteúdo do anúncio, porém, segue o art. 20 do Código de Ética: sem preço como chamariz, sem promessa de resultado e com nome, CRP e número de inscrição.

Psicólogo pode postar depoimento de paciente?

A Nota Técnica CFP nº 1/2022 orienta a não usar depoimentos nem fotos de pessoas atendidas. Com consentimento expresso e por escrito, o uso é admitido, mas não recomendado, pelo risco de exposição. O mais seguro é não usar.

Posso oferecer a primeira sessão grátis para atrair pacientes?

A cartilha de publicidade do CRP-MG (abril de 2026) inclui a referência à gratuidade, como “primeira consulta grátis”, na proibição de usar o preço como propaganda (Código de Ética, art. 20, alínea “d”). Melhor não anunciar.

Posso pagar comissão para quem me indica pacientes?

Não. O art. 2º, alínea “p”, do Código de Ética veda receber ou pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento. Isso vale para colegas, outros profissionais e empresas.

Quem atende só online pode ter Perfil da Empresa no Google?

Pelas diretrizes do Google consultadas em outubro de 2026, empresas que funcionam só online não se qualificam; é preciso um local físico onde o cliente é atendido. Para quem atende só online, site próprio e conteúdo educativo fazem esse papel.

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