Avaliação e escalas

GAD-7: a escala de ansiedade, a pontuação e quando reaplicar

Sete perguntas sobre as duas últimas semanas, um total de 0 a 21. A GAD-7 é uma das escalas de ansiedade mais curtas que dá para levar a sério — desde que você saiba o que ela mede e o que ela não alcança.

📅 Atualizado em outubro de 2026 ⏱ 8 min de leitura ✍ Equipe Psicoly

Quarta, 18h. Terceira sessão de uma paciente de 34 anos, que abre com: “Eu não sei se isso é ansiedade ou se é só a minha vida mesmo.” Na primeira sessão ela fez a GAD-7 e marcou 13. Hoje você fica em dúvida: reaplica agora, espera mais um pouco, ou nem precisa? A escala é curta, mas essas perguntas sobre ela não são.

Aqui estão os sete itens na tradução oficial, a pontuação, as faixas, o que o ponto de corte realmente significa e uma proposta prática de quando reaplicar. Com fonte, e com o aviso que vale para toda escala de rastreio: triagem não é diagnóstico.

O que é a escala GAD-7

A GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder-7) é uma escala de autorrelato de sete itens que mede a frequência de sintomas de ansiedade nas últimas duas semanas, com total de 0 a 21. Foi criada por Spitzer, Kroenke, Williams e Löwe e publicada em 2006 no Archives of Internal Medicine como medida breve para identificar provável transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e avaliar sua gravidade.

Ela é da mesma família do PHQ-9, desenvolvida pelos mesmos autores com subsídio educacional da Pfizer, e tem a mesma licença: o site oficial, o phqscreeners.com, informa que não é necessária permissão para reproduzir, traduzir, exibir ou distribuir os questionários e suas traduções.

Os 7 itens da GAD-7

A GAD-7 pergunta: “Durante as últimas 2 semanas, com que frequência você foi incomodado/a pelos problemas abaixo?” As opções são nenhuma vez (0), vários dias (1), mais da metade dos dias (2) e quase todos os dias (3). Os itens da tradução oficial para o português do Brasil:

  1. Sentir-se nervoso/a, ansioso/a ou muito tenso/a
  2. Não ser capaz de impedir ou de controlar as preocupações
  3. Preocupar-se muito com diversas coisas
  4. Dificuldade para relaxar
  5. Ficar tão agitado/a que se torna difícil permanecer sentado/a
  6. Ficar facilmente aborrecido/a ou irritado/a
  7. Sentir medo como se algo horrível fosse acontecer

Repare que os itens 2 e 3 são o núcleo da preocupação excessiva e difícil de controlar. Os outros cobrem tensão, inquietação, irritabilidade e apreensão.

Pontuação da GAD-7: de 0 a 21

A pontuação da GAD-7 é a soma dos sete itens, cada um de 0 a 3, com total entre 0 e 21. Sem item invertido, sem peso.

Exemplo ilustrativo: “quase todos os dias” nos itens 1, 2 e 3 (9 pontos), “mais da metade dos dias” nos itens 4 e 6 (4 pontos) e “nenhuma vez” no resto. Total: 13 — faixa moderada, como a paciente da cena.

O estudo original também mostrou boa concordância entre a versão respondida pelo próprio paciente e a aplicada por um entrevistador. Na prática, isso quer dizer que, para quem tem dificuldade de leitura, você pode ler os itens em voz alta sem desmontar a escala. Só anote que foi assim.

Como aplicar a GAD-7 sem atrapalhar a sessão

A GAD-7 leva poucos minutos e funciona melhor quando o paciente sabe para que ela serve. Uma frase basta: “É um questionário curto sobre as duas últimas semanas; ajuda a gente a acompanhar a ansiedade ao longo do tempo.” Dito assim, a escala vira parte do trabalho, e não prova.

Algumas escolhas práticas fazem diferença:

Na primeira sessão, a GAD-7 entra bem depois da anamnese psicológica, quando você já sabe o suficiente da história para ler o resultado com contexto.

Interpretação das faixas

A interpretação da GAD-7 usa 5, 10 e 15 como limites de ansiedade leve, moderada e grave, segundo o manual dos autores. Na tabela:

PontuaçãoFaixaLeitura sugerida
0 a 4MínimaSem indicação de ansiedade relevante pela escala
5 a 9LeveVale acompanhar; contexto pesa muito aqui
10 a 14Moderada“Bandeira amarela” do manual: merece avaliação mais detalhada
15 a 21Grave“Bandeira vermelha”: alta probabilidade de quadro que pede tratamento ativo

A coluna da direita é leitura minha a partir do manual, não protocolo. Uma faixa leve numa pessoa que acabou de perder o emprego conta uma história diferente da mesma faixa em alguém sem nenhum estressor aparente — e os dois casos podem merecer atenção.

Ponto de corte e o que ele alcança

O ponto de corte recomendado pelo manual dos autores para avaliação adicional é 10 ou mais. No estudo original, feito em 15 clínicas de atenção primária nos Estados Unidos com 2.740 adultos (965 deles entrevistados por profissional de saúde mental), o ponto de corte escolhido equilibrou sensibilidade de 89% e especificidade de 82% para TAG.

Faça a conta da especificidade: 82% quer dizer que, entre as pessoas sem TAG daquele estudo, perto de 18 em cada 100 ainda passaram do corte. Num consultório, onde quase todo mundo chega com algum sofrimento, resultado positivo é convite para entrevista, não conclusão.

Um detalhe útil e pouco lembrado: apesar do nome, o manual registra que a GAD-7 também tem características moderadamente boas para rastrear outros três quadros comuns — transtorno de pânico, ansiedade social e transtorno de estresse pós-traumático. Ou seja, um 12 não quer dizer “é TAG”. Quer dizer “tem ansiedade relevante aqui; qual, a entrevista vai dizer”.

Sobre a versão brasileira: Moreno e colaboradores publicaram em 2016, na revista Temas em Psicologia, um estudo da estrutura fatorial, da confiabilidade e dos parâmetros dos itens da versão em português do Brasil. Repare no escopo: é um estudo das propriedades da escala, não de ponto de corte contra entrevista diagnóstica. Por isso o 10 que usamos por aqui ainda vem, na prática, do estudo original e do manual.

Quando reaplicar a GAD-7

Não existe norma do CFP fixando o intervalo de reaplicação da GAD-7 — o FAQ do SATEPSI lembra que nem para testes psicológicos a legislação profissional prevê prazo, e que o critério vem do manual e da literatura. Como a pergunta da GAD-7 cobre as últimas duas semanas, reaplicar em menos tempo que isso mede de novo boa parte do mesmo período.

O que eu faço, e que você pode adaptar:

  1. Na entrada, junto com o PHQ-9, para ter a linha de base.
  2. A cada quatro semanas mais ou menos, no início da sessão, antes de o assunto do dia esquentar.
  3. Quando algo muda: a pessoa começou medicação com o psiquiatra, mudou a frequência das sessões, passou por um evento grande.
  4. Antes da alta, para conversar sobre o caminho com um dado na mesa.

Anote sempre a data e as condições da aplicação (presencial ou online, lida em voz alta ou não); sem isso, a comparação perde valor. E leia a tendência, não o ponto isolado. Oscilação de um ou dois pontos entre aplicações, sem nada acontecendo na vida da pessoa, eu não trataria como mudança. Já sair de 16 para 7 em três meses é algo para mostrar a ela.

Resumindo: no manual dos autores, a GAD-7 aparece como medida que já mostrou mudança em ensaios clínicos de depressão, com a ressalva de que ainda não tinha sido estudada como desfecho principal em ensaios de ansiedade quando o texto foi escrito. Use para acompanhar, sim, mas sem transformar a escala em placar da terapia.

O que a GAD-7 não responde

A GAD-7 é instrumento de triagem e de gravidade; ela não diagnostica transtorno de ansiedade e não diferencia um transtorno do outro. Algumas lacunas que vale ter em mente:

A diferença entre escalas de rastreio de uso livre e testes psicológicos do SATEPSI está explicada em escalas de avaliação psicológica.

A GAD-7 no Psicoly

No Psicoly, a GAD-7 vem pronta na conta, como ficha do paciente, e não gasta a vaga de ficha personalizada do plano. Você marca as respostas de 0 a 3, a pontuação total aparece sozinha quando os sete itens estão respondidos e a faixa (mínima, leve, moderada ou grave) aparece junto. Os enunciados estão levemente adaptados em relação à tradução oficial; se precisar do texto exato impresso, use o PDF do site dos autores.

O que o sistema não faz é interpretar por você. Ele soma e mostra a faixa; o sentido daquele número para aquela pessoa vai para a evolução, escrito por você. Um jeito simples de registrar: “GAD-7 em 12/10: 13 (moderada); na entrada, 16. Relata menos preocupação noturna, mantém tensão no trabalho.” Mais exemplos em evolução psicológica: como escrever.

No Psicoly, o GAD-7 e o PHQ-9 já vêm prontos, com soma automática e a faixa aparecendo sozinha. Dá para testar com um paciente fictício no plano Free, que é para sempre e não pede cartão: crie sua conta.

Agenda, prontuário sigiloso e financeiro num lugar só

O Psicoly tem Plano Free para sempre, e os 7 primeiros dias rodam sem limite nenhum.

Começar grátis → ✓ Sem cartão de crédito · ✓ Cancele quando quiser · ✓ Suporte humano por WhatsApp

Perguntas frequentes

O que significa GAD-7 com pontuação 10?

Dez é o início da faixa moderada (10 a 14) e o ponto que o manual dos autores recomenda para avaliação adicional. Indica ansiedade relevante, mas não diz qual transtorno — e não substitui a entrevista clínica.

A GAD-7 diagnostica transtorno de ansiedade?

Não. Ela é uma escala de triagem e de gravidade. Foi criada para TAG, mas também rastreia razoavelmente pânico, ansiedade social e estresse pós-traumático, e por isso o resultado pede avaliação para saber de que quadro se trata.

Preciso de autorização para usar a GAD-7?

Não. O site oficial dos autores informa que não é necessária permissão para reproduzir, traduzir, exibir ou distribuir a GAD-7 e suas traduções. A versão em português do Brasil traz a mesma frase no rodapé.

A GAD-7 é validada no Brasil?

Há estudo da versão em português do Brasil: Moreno e colaboradores (Temas em Psicologia, 2016) analisaram estrutura fatorial, confiabilidade e parâmetros dos itens. Não é um estudo de ponto de corte contra entrevista diagnóstica, por isso o corte 10 segue vindo do estudo original.

De quanto em quanto tempo aplicar a GAD-7?

Não há regra do CFP. Como a escala pergunta sobre as últimas duas semanas, um intervalo de cerca de quatro semanas, mais os momentos de mudança e a alta, costuma dar uma curva legível sem repetir o mesmo período.

GAD-7 ou DASS-21: qual usar?

A GAD-7 foca ansiedade e é mais curta; a DASS-21 tem 21 itens e separa depressão, ansiedade e estresse em três escalas de sete itens. A DASS parte de um modelo dimensional e não serve para alocar pessoas em categorias diagnósticas; eu costumo usar GAD-7 com PHQ-9 na entrada e reservar a DASS-21 para quando o estresse é o tema central.

Dúvidas?